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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Próximas semanas

Estou sem tempo para postar nas últimas semanas (fim de semestre...).

Mas estou preparando uma trilogia de textos, os quais começarei a publicar daqui a duas ou três semanas. Os textos terão o tema de "Reforma X, por quê?", substituindo X por Agrária, Política e Tributária.

Não deixem de acessar.
Obrigado!

sábado, 13 de novembro de 2010

International Conference Getting Post 2010 Biodiversity Targets Right

O Programa BIOTA/FAPESP, junto com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), decidiu marcar o final do Ano Internacional de Biodiversidade e o começo do Ano Internacional das Florestas organizando a International Conference Getting Post 2010 Biodiversity Targets Right, pretendendo contribuir para o estabelecimento de objetivos novos e efetivamente mensuráveis e cientificamente significantes.

Data: 11 a 15 de dezembro de 2010

Horário: 8h30 às 19h00

Local: Hotel Villa Santo Agostinho - Bragança Paulista/SP

Público alvo: Pesquisadores, estudantes, professores, instituições de ensino e pesquisa, empresas

Coordenação Científica: Prof. Dr. Carlos Alfredo Joly, coordenador do Programa Biota-FAPESP

Contato: faleconosco@biota2010-targets.com.br

Outras informações: www.biota2010-targets.com.br

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em repúdio ao preconceito contra os nordestinos em São Paulo

Por Ivan Valente¹

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,

Como paulista, me sinto no dever de subir a esta tribuna para manifestar toda a minha solidariedade ao povo nordestino e meu mais profundo repúdio às manifestações de preconceito que pessoas nascidas em meu estado tem manifestado nas últimas semanas, nos mais diferentes espaços e redes sociais da internet, em relação a brasileiros e irmãos que vieram do Nordeste e constroem São Paulo.
O “movimento”, como todos devem ter acompanhado, começou pelo twitter logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Foi provocado por essa conjuntura, inclusive de maneira totalmente equivocada, porque a candidata do PT venceu não só no Nordeste, mas em Minas, no Rio de Janeiro, em vários estados. Mas sem dúvida é algo que reflete um preconceito historicamente construído em nosso estado, principalmente na capital São Paulo, onde há muito tempo manifestações racistas e de preconceito étnico, regional e de orientação sexual vem sendo tratadas com “naturalidade”, ganhando inclusive pouca visibilidade dos meios de comunicação.
Em cenários como este, a discriminação racial é banalizada e deixa o caminho aberto para incitações à violência e ao ódio de classe, como a praticada pela estudante de direito Mayara Petruso. Como o caso ganhou alguma visibilidade, Mayara agora pode ser processada, mas são incontáveis e cotidianas manifestações desta ordem, que se perpetuam diante da omissão do Estado e da conivência da uma significativa parcela da população paulista.
A gravidade da situação é tamanha que estes cidadãos se sentem à vontade, sem qualquer pudor, para aprofundar seu preconceito e propor ações que beiram ao fascismo. É o caso do grotesco manifesto “São Paulo para os paulistas”, que já conta com milhares de assinaturas na internet. Para seus autores e signatários, então entre as responsabilidades da migração dos nordestinos para São Paulo a alta criminalidade e os hospitais superlotados em nosso estado. São incapazes de enxergar a brutal desigualdade social em nosso país, que força milhares de famílias a deixarem o pouco que tem para traz em busca de alguma dignidade. Tampouco enxergam essa mesma desigualdade como a raiz da violência em todo o Brasil – e não apenas em São Paulo.
O manifesto propõe barbaridades como:
– restringir o acesso a serviços públicos como saúde e educação a pessoas que comprovem residência e trabalho fixo no Estado de S Paulo há pelo menos dois anos.
– acabar com a cobrança de taxas diferenciadas de água, luz e IPTU nas favelas.
– suspender a distribuição de medicamentos gratuitos, de auxílio-aluguel, do programa mãe-paulistana, de quaisquer “bolsas por número de filhos”, de entrega de “casas populares”, de acesso ao “leve-leite”, de entrega de uniforme, material e transporte escolar, de cestas básicas.
– proibir totalmente qualquer tipo de “comércio ilegal”, com apreensão e prisão em caso de reincindência.
E justificam: “São Paulo deve cuidar dos SEUS pobres”.
Atitudes como esta requerem uma resposta enérgica da sociedade, sob o risco de perpetuarmos um terreno fértil para o florescimento da xenofobia e aprofundamento do preconceito étnico-racial e regional em São Paulo, já tão arraigado entre a elite paulista.
A prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a prisão, previsto pela Lei 7.716 de 1989. A lei define como crime de racismo não apenas a prática, mas também a indução ou incitação à discriminação ou preconceito, e estabelece um agravante se esses crimes são cometidos por intermédio dos meios de comunicação.
O Ministério Público Federal em São Paulo já recebeu representação para apuração do caso, envolvendo denúncia contra 94 pessoas, e a política está investigando de quem é a responsabilidade pelo manifesto. São iniciativas importantes para, desta vez, não nos calarmos novamente e, assim, darmos mais um passo no sentido de reverter essa brutal violação de direitos fundamentais.
E que o exemplo do que agora se passa em São Paulo também sirva para despertar uma reflexão em todo o país sobre os inúmeros preconceitos regionais que nossa nação ainda presencia. Por isso, Sr. Presidente, aqui está a nossa solidariedade ao povo nordestino e por um Brasil sem nenhum tipo de preconceito ou discriminação, um Brasil democrático, soberano, igualitário, com justiça social. Abaixo o racismo e o preconceito.
Muito obrigado.

¹Ivan Valente é Deputado Federal reeleito pelo PSOL/SP

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MCCE manterá sua mobilização

Segue e-mail que recebi do site Ficha Limpa:
"Convidamos toda a sociedade brasileira a permanecer mobilizada. Uma escolha política não pode implicar no fim da maior conquista jurídica brasileira no combate à corrupção política."

NOTA PÚBLICA
                    
No dia 10 de dezembro de 2007, na sua sede localizada no Conselho Federal da OAB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), rede composta por 50 organizações da sociedade civil brasileira, decidiu convidar o povo brasileiro ao desafio de construir uma lei diferente, surgida das ruas, associações, igrejas, escolas e universidades: a Lei da Ficha Limpa.

Conquistamos a sociedade brasileira para esse projeto. Desconstruímos preconceitos jurídicos e redefinimos padrões de reflexão jurídico-políticos: os mandatos não são patrimônios privados e as candidaturas são concessões da coletividade, não direitos individuais. Afinal, o poder emana do povo.

Parabenizamos o Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei. Congratulamo-nos com todos os Ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal que, movidos pelo mais profundo espírito cívico e por uma leitura contemporânea da Constituição, superaram as incorretas críticas que alguns teimavam em dirigir à iniciativa popular, reconhecendo a validade da mais querida das leis brasileiras. Consideramos que a serenidade, a urbanidade e o uso de fundamentos idôneos devem fazer parte da vida do Judiciário. Os cidadãos e as entidades que com seriedade elaboraram e trabalharam na construção do projeto de lei, por outro lado, merecem todo o respeito.

Esclarecemos que as organizações que realizaram a Campanha Ficha Limpa são as mesmas que se puseram contra a ditadura militar. E, se essa mesma sociedade mobilizou-se para ver longe da esfera política os que não honraram os votos que receberam, foi em virtude de assistir imperar a impunidade no tocante a crimes da maior gravidade. Acreditamos na Constituição brasileira, que reconhece na iniciativa popular uma das formas de expressão direta do soberano: o conjunto dos cidadãos.

Reafirmamos que quem renuncia a um mandato público para atingir objetivos egoísticos não merece mandato. Essa medida já constava, sim, do texto original do projeto de lei de iniciativa popular. Trata-se de dispositivo que não sofreu qualquer retoque no Parlamento, que o aprovou por unanimidade em suas duas casas.

Convidamos toda a sociedade brasileira a permanecer mobilizada até que finalmente seja afastado o risco de que o novo Ministro a ser escolhido para integrar o Supremo Tribunal venha a se posicionar contra a Lei da Ficha Limpa em qualquer dos seus aspectos. Uma escolha política não pode implicar no fim da maior conquista jurídica brasileira no combate à corrupção política.


Brasília, 3 de novembro de 2010.