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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um pouco de poesia

Transcreverei aqui um dos poemas, o VIII, de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, retirado do livro "Poemas Completos de Alberto Caeiro". Li-o esse fim de semana e achei muito bom, espero que gostem também.
Já havia lido o livro há alguns anos, mas não dei muita importância e nem gostei muito dos poemas (talvez pelo fato de ter sido em época de vestibular, e leitura obrigatória, comigo, não funciona muito bem...). Contudo, após ter visitado a exposição Fernando Pessoa que estava em cartaz no excelente Museu da Língua Portuguesa - para quem ainda não teve a oportunidade de visitar este museu, visite, vale muito a pena - decidi voltar a lê-los. Alberto Caeiro é um dos muitos heteronômios do português Fernando Pessoa. Impressionante a capacidade deste poeta em criar vidas paralelas à sua, com toda uma história e filosofia independente. Até mesmo os poemas assinados com o próprio nome não transmitiam, exatamente, sua verdadeira personalidade - se é que existiu tal. Nas palavras de Pessoa, que o introduzem muito bem, o poeta é um fingidor.
Voltando a Caeiro, segundo Fernando Pessoa, ele nasceu em abril de 1889 e viveu grande parte de sua vida com a tia-avó, uma vez que era órfão de pai e mãe. No final de sua vida mudou-se para Lisboa, onde morreu de tuberculose com apenas 26 anos. Considerado o Poeta da Natureza, o Antimetafísico, Alberto Caeiro dizia que para conhecer as cousas deveríamos apenas ver e sentí-las, e não pensá-las. Tudo é o que é, e nada mais. Uma das estrofes do X poema d'O Guardador de Rebanhos exemplifica bem sua - se é que pode-se assim chamaá-la - filosofia:

"Nunca ouviste passar o vento.
 O vento só fala do vento.
 O que lhe ouviste foi mentira,
 E a mentira está em ti."

Sem mais delongas, vamos ao VIII poema (apesar de um pouco longo, vale a pena), mas, antes, colocarei a nota de rodapé que está presente no livro (espero não ter problemas com direitos autorais...). Aí vão ambos, divirtão-se!

Nota: "Diz o autor em carta de 3 de dezembro de 1930 a João Gaspar Simões: 'O que lhe poderei enviar, se quiser, é o oitavo poema de O guardador de rebanhos, ou seja, o poema sobre a vinda de Cristo à terra, que não publiquei na Athena por o que é de ofensivo para a Igreja Católica: nem isso convinha à Athena, como publicação em geral, nem estava certo, sendo católico o Rui Vaz, diretor comigo da revista e proprietário dela."

VIII
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino, 
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas - 
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida, 
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água, 
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros, 
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que eu duvido" -
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

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Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe 
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte 
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a lus do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o 
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

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Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

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Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?






Alberto Caeiro, heteronômio de Fernando Pessoa

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Light is good

Em minha última postagem - e já faz um bom tempo - prometi alguns textos sobre os aspectos de reformas sociais, como a política, agrária e tributária. Entretanto, não os escreverei, por ora, devido ao meu momento. Já tenho algumas referências selecionadas, mas o que me falta é a inspiração.
Parece que em tempos de eleições me sinto engajado no assunto, com um sentimento de que o Brasil pode mudar para um país melhor se a população tiver acesso à informação de mais qualidade, que é o que eu tento colocar neste blog.
Contudo, após os resultados das eleições, com tantos resultados ridículos - para não utilizar palavras mais enfadonhas - como Tiririca com maior número de votos, Maluf com mais de 500 mil votos e tantos outros, me acomete um sentimento de desapontamento, de decepção. Decepcionado com o cenário político, e o engajamento do povo em geral, minha vontade de escrever sobre o assunto se esvai aos poucos. Esse é o estádio pelo qual estou passando agora, desculpem o desabafo...
Mas, como creio que o aumento de informações verdadeiras ajuda a aumentar o envolvimento das pessoas com assuntos de grande importância a todos, me inclino a defender pessoas que tentam expor tais verdades que muitos - principalmente as pessoas no poder - fazem de tudo para esconder. Uma destas pessoas, que ganhou grande destaque na mídia nas últimas semanas, é o fundador e diretor chefe do Wikileaks¹ , Julian Assange.
O que Assange e sua equipe fazem no Wikileaks é obter informações, que normalmente não chegariam aos civis, e divulgá-las na internet, no site, garantindo sigilo sobre a fonte da informação. E qual é o conteúdo destas informações ultra-secretas? Com alguns exemplos retirados do blog Bule Voador² podemos ter uma idéia. Informações sobre a censura na China, que redireciona buscas na internet, como a palavra Dalai-Lama, para mensagens de desculpas pela falta de resultados sobre o assunto; ou documentos que expõem a farra de álcool, drogas e sexo dos príncipes da Arábia Saudita que, oficialmente, condenam os mesmos atos; ou, ainda, um vídeo de um helicóptero estadunidense no Iraque, atirando contra civis, enquanto o piloto solta gargalhadas; também documentos do governo do Reino Unido, que autorizam a armazenagem de bombas de fragmento de propriedade estadunidense em território britânico, apesar de serem signatários de um acordo que proíbe este tipo de armas³.
Esses são apenas alguns exemplos, muitos outros documentos comprometedores foram lançados na rede. Assim, é bastante clara a razão pela qual Assange e seu site - que tem colaboradores em todos os cantos do planeta - causam tal incomôdo nos líderes de tantos países. É óbvio também a irritação que sua prisão causou em muitos internautas e nos hackers.
Julian Assange teve pedido de prisão decretado pela justiça da Suécia com acusações de estupro e abusos sexuais. A justiça sueca comunicou à Interpol e Julian se entregou à Scotland Yard no Reino Unido, no dia 7 de dezembro de 2010. Assange pagou fiança e adquiriu liberdade condicional no dia 16 de dezembro. A Suécia reinvindica sua estradição pelo governo britânico, que negou-a.
Sua prisão foi muita criticada em todo o mundo, inclusive pelos líderes de alguns países, como a Rússia e pelo presidente Lula. É claro que se o fundador do Wikileaks for culpado ele deve ser condenado e cumprir sua prisão. Mas existe muito questionamento sobre a veracidade das acusações. Muitos afirmam se tratar apenas de um complô de paises que se sentem prejudicados pela divulgação destes documentos. Mesmo que Julian Assange seja realmente condenado, é importante que o movimento Wikileaks se mantenha, pois as informações que são divulgadas ajudam a desmascarar a manipulação e as atrocidades que as pessoas no poder realizam contra a população.
Veja a entrevista de Julian Assange para o TED Talks e tire suas próprias conclusões. Mas tenha em mente que, como diz Chris Anderson, o entrevistador, Light is good.



¹ Wikileaks
² Bule Voador
³ G1

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Próximas semanas

Estou sem tempo para postar nas últimas semanas (fim de semestre...).

Mas estou preparando uma trilogia de textos, os quais começarei a publicar daqui a duas ou três semanas. Os textos terão o tema de "Reforma X, por quê?", substituindo X por Agrária, Política e Tributária.

Não deixem de acessar.
Obrigado!

sábado, 13 de novembro de 2010

International Conference Getting Post 2010 Biodiversity Targets Right

O Programa BIOTA/FAPESP, junto com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), decidiu marcar o final do Ano Internacional de Biodiversidade e o começo do Ano Internacional das Florestas organizando a International Conference Getting Post 2010 Biodiversity Targets Right, pretendendo contribuir para o estabelecimento de objetivos novos e efetivamente mensuráveis e cientificamente significantes.

Data: 11 a 15 de dezembro de 2010

Horário: 8h30 às 19h00

Local: Hotel Villa Santo Agostinho - Bragança Paulista/SP

Público alvo: Pesquisadores, estudantes, professores, instituições de ensino e pesquisa, empresas

Coordenação Científica: Prof. Dr. Carlos Alfredo Joly, coordenador do Programa Biota-FAPESP

Contato: faleconosco@biota2010-targets.com.br

Outras informações: www.biota2010-targets.com.br

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em repúdio ao preconceito contra os nordestinos em São Paulo

Por Ivan Valente¹

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,

Como paulista, me sinto no dever de subir a esta tribuna para manifestar toda a minha solidariedade ao povo nordestino e meu mais profundo repúdio às manifestações de preconceito que pessoas nascidas em meu estado tem manifestado nas últimas semanas, nos mais diferentes espaços e redes sociais da internet, em relação a brasileiros e irmãos que vieram do Nordeste e constroem São Paulo.
O “movimento”, como todos devem ter acompanhado, começou pelo twitter logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Foi provocado por essa conjuntura, inclusive de maneira totalmente equivocada, porque a candidata do PT venceu não só no Nordeste, mas em Minas, no Rio de Janeiro, em vários estados. Mas sem dúvida é algo que reflete um preconceito historicamente construído em nosso estado, principalmente na capital São Paulo, onde há muito tempo manifestações racistas e de preconceito étnico, regional e de orientação sexual vem sendo tratadas com “naturalidade”, ganhando inclusive pouca visibilidade dos meios de comunicação.
Em cenários como este, a discriminação racial é banalizada e deixa o caminho aberto para incitações à violência e ao ódio de classe, como a praticada pela estudante de direito Mayara Petruso. Como o caso ganhou alguma visibilidade, Mayara agora pode ser processada, mas são incontáveis e cotidianas manifestações desta ordem, que se perpetuam diante da omissão do Estado e da conivência da uma significativa parcela da população paulista.
A gravidade da situação é tamanha que estes cidadãos se sentem à vontade, sem qualquer pudor, para aprofundar seu preconceito e propor ações que beiram ao fascismo. É o caso do grotesco manifesto “São Paulo para os paulistas”, que já conta com milhares de assinaturas na internet. Para seus autores e signatários, então entre as responsabilidades da migração dos nordestinos para São Paulo a alta criminalidade e os hospitais superlotados em nosso estado. São incapazes de enxergar a brutal desigualdade social em nosso país, que força milhares de famílias a deixarem o pouco que tem para traz em busca de alguma dignidade. Tampouco enxergam essa mesma desigualdade como a raiz da violência em todo o Brasil – e não apenas em São Paulo.
O manifesto propõe barbaridades como:
– restringir o acesso a serviços públicos como saúde e educação a pessoas que comprovem residência e trabalho fixo no Estado de S Paulo há pelo menos dois anos.
– acabar com a cobrança de taxas diferenciadas de água, luz e IPTU nas favelas.
– suspender a distribuição de medicamentos gratuitos, de auxílio-aluguel, do programa mãe-paulistana, de quaisquer “bolsas por número de filhos”, de entrega de “casas populares”, de acesso ao “leve-leite”, de entrega de uniforme, material e transporte escolar, de cestas básicas.
– proibir totalmente qualquer tipo de “comércio ilegal”, com apreensão e prisão em caso de reincindência.
E justificam: “São Paulo deve cuidar dos SEUS pobres”.
Atitudes como esta requerem uma resposta enérgica da sociedade, sob o risco de perpetuarmos um terreno fértil para o florescimento da xenofobia e aprofundamento do preconceito étnico-racial e regional em São Paulo, já tão arraigado entre a elite paulista.
A prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a prisão, previsto pela Lei 7.716 de 1989. A lei define como crime de racismo não apenas a prática, mas também a indução ou incitação à discriminação ou preconceito, e estabelece um agravante se esses crimes são cometidos por intermédio dos meios de comunicação.
O Ministério Público Federal em São Paulo já recebeu representação para apuração do caso, envolvendo denúncia contra 94 pessoas, e a política está investigando de quem é a responsabilidade pelo manifesto. São iniciativas importantes para, desta vez, não nos calarmos novamente e, assim, darmos mais um passo no sentido de reverter essa brutal violação de direitos fundamentais.
E que o exemplo do que agora se passa em São Paulo também sirva para despertar uma reflexão em todo o país sobre os inúmeros preconceitos regionais que nossa nação ainda presencia. Por isso, Sr. Presidente, aqui está a nossa solidariedade ao povo nordestino e por um Brasil sem nenhum tipo de preconceito ou discriminação, um Brasil democrático, soberano, igualitário, com justiça social. Abaixo o racismo e o preconceito.
Muito obrigado.

¹Ivan Valente é Deputado Federal reeleito pelo PSOL/SP

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MCCE manterá sua mobilização

Segue e-mail que recebi do site Ficha Limpa:
"Convidamos toda a sociedade brasileira a permanecer mobilizada. Uma escolha política não pode implicar no fim da maior conquista jurídica brasileira no combate à corrupção política."

NOTA PÚBLICA
                    
No dia 10 de dezembro de 2007, na sua sede localizada no Conselho Federal da OAB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), rede composta por 50 organizações da sociedade civil brasileira, decidiu convidar o povo brasileiro ao desafio de construir uma lei diferente, surgida das ruas, associações, igrejas, escolas e universidades: a Lei da Ficha Limpa.

Conquistamos a sociedade brasileira para esse projeto. Desconstruímos preconceitos jurídicos e redefinimos padrões de reflexão jurídico-políticos: os mandatos não são patrimônios privados e as candidaturas são concessões da coletividade, não direitos individuais. Afinal, o poder emana do povo.

Parabenizamos o Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei. Congratulamo-nos com todos os Ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal que, movidos pelo mais profundo espírito cívico e por uma leitura contemporânea da Constituição, superaram as incorretas críticas que alguns teimavam em dirigir à iniciativa popular, reconhecendo a validade da mais querida das leis brasileiras. Consideramos que a serenidade, a urbanidade e o uso de fundamentos idôneos devem fazer parte da vida do Judiciário. Os cidadãos e as entidades que com seriedade elaboraram e trabalharam na construção do projeto de lei, por outro lado, merecem todo o respeito.

Esclarecemos que as organizações que realizaram a Campanha Ficha Limpa são as mesmas que se puseram contra a ditadura militar. E, se essa mesma sociedade mobilizou-se para ver longe da esfera política os que não honraram os votos que receberam, foi em virtude de assistir imperar a impunidade no tocante a crimes da maior gravidade. Acreditamos na Constituição brasileira, que reconhece na iniciativa popular uma das formas de expressão direta do soberano: o conjunto dos cidadãos.

Reafirmamos que quem renuncia a um mandato público para atingir objetivos egoísticos não merece mandato. Essa medida já constava, sim, do texto original do projeto de lei de iniciativa popular. Trata-se de dispositivo que não sofreu qualquer retoque no Parlamento, que o aprovou por unanimidade em suas duas casas.

Convidamos toda a sociedade brasileira a permanecer mobilizada até que finalmente seja afastado o risco de que o novo Ministro a ser escolhido para integrar o Supremo Tribunal venha a se posicionar contra a Lei da Ficha Limpa em qualquer dos seus aspectos. Uma escolha política não pode implicar no fim da maior conquista jurídica brasileira no combate à corrupção política.


Brasília, 3 de novembro de 2010.

domingo, 24 de outubro de 2010

Como Ioiô e Iaiá vão pular a fogueira, ou o que estamos fazendo com a nossa juventude?


Por José Marcelino de Rezende Pinto¹
In vino veritas

Fruto que sou do período da ditadura militar, em que lutávamos contra o arbítrio dentro e fora da universidade, espanta-me a passividade de nossos alunos atuais. São jovens, cada vez mais novos e que trazem um repertório muito restrito de experiências de vida. Muitos nunca visitaram a capital do estado, ou tiveram alguma experiência de participação coletiva, seja em grêmios escolares, partidos políticos, grupos religiosos, ou sindicatos. Em plena ditadura militar, em 1979, acampamos um mês em frente à reitoria da USP na luta por moradia estudantil e, em nenhum momento, a direção da universidade pensou em chamar a polícia ou o exército; talvez por entender que a universidade seja uma instituição na qual as coisas devem ser resolvidas por meio do diálogo e da argumentação fundamentada. Reivindicávamos moradia, ocupamos o Bloco A do campus Butantã e o reitor respeitou a luta dos estudantes. Afinal, foi a mesma ditadura que expulsou os estudantes do CRUSP, em 1968. Hoje, por qualquer ‘de cá uma palha’, vemos a polícia nos campi das universidades públicas paulistas.
Uma lei hipócrita e baseada em falso moralismo proibiu o consumo de bebidas com teor alcoólico superior a 4,5 ° GL nos estabelecimentos de ensino do estado de São Paulo. O que se pretende com isso? Diminuir o consumo de álcool no Estado de São Paulo? Alguém se lembra do efeito da lei seca nos EUA? Ou desobrigar as instituições educacionais de exercer seu papel formativo com os jovens? Ao, na prática, impedir a realização de festas nas escolas, o que se faz é empurrar os estudantes para o famigerado “open bar”, no qual bebe-se até o coma. A bebida, que, se utilizada de forma adequada, poderia ser um mecanismo de estímulo à socialização, acaba se transformando num fim em si mesmo, com danos irreparáveis à saúde desses jovens.  No caso das universidades, para muitos jovens é a primeira vez que saem de casa. Os pais lhes entregam os filhos, e elas, o que fazem? Adotam uma política de avestruz. Agora, esses jovens estão livres para serem atraídos pelos ‘empreendedores’ dessas falsas festas, nas quais não há lugar para a velha e boa conversa. É essa omissão que se espera de uma instituição que tem, segundo a Constituição, o papel de formar o cidadão?  
Para onde vão nossas festas juninas regadas a vinho quente e quentão? O que será do IX de Agosto, onde o atual Magnífico deve ter participado de boas tertúlias literárias e políticas?
O ditado que abre este artigo, existente em quase todas as línguas do mundo, indica que é difícil mentir quando se está sob o efeito da bebida. Será este o objetivo verdadeiro dessa infeliz lei? Proteger a mentira? Vinda de onde vem, é uma hipótese que merece consideração.
Tenho certeza, contudo, que a criatividade estudantil inventará um jeito de driblar regras como esta que trazem um forte ranço de fascismo. Não tenho dúvidas de que ainda se pode tomar uma ‘gelada’ no território livre do CA XI de Agosto, nos porões vivos da Academia do Largo de São Francisco e se conversar sobre o que se conversa numa roda de amigos. Tenho convicção de que, em breve, teremos uma cerveja de 4° GL, e um quentão de 3,5% GL para fazermos muitas e gostosas festas nos campi das escolas do estado de São Paulo. Um brinde à convivência sadia e uma vaia à hipocrisia!

¹é docente do departamento de Psicologia e Educação da FFCLRP/USP

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A velha questão aborto

Nesta segunda-feira, dia 18, foi divulgada a decisão do juiz da 8ª Vara Cível de Belo Horizonte, Jair José Varão Pinto Júnior, negando o pedido de uma jovem mineira para realizar aborto. Seu feto, de 14 semanas, foi diagnosticado, por exames, com pouca quantidade de tecido encefálico, o que poderia indicar anencefalia. As seguintes declarações refletem  a opinião do magistrado:
 
Nem a ciência nem os homens podem afirmar o que se reserva a esta vida ou àquelas que com ela estão veiculadas"
Desta forma, há vida. Não nos compete retirá-la. A obstrução desta vida não possui respaldo legal

Pesquisando rapidamente na internet (mais precisamente no Wikipedia) temos uma idéia simples – mas correta – do que é a anencefalia. Resumo em duas frases:
 
A palavra "anencefalia" geralmente é utilizada para caracterizar uma má-formação fetal do cérebro
Trata-se de patologia letal

O ser (e aqui é difícil usar a palavra correta) pode nascer morto ou morrer após algum tempo, mas o que é certo é que ele morrerá. Então sabemos o que se reserva àquela vida. E mais: podemos chamar de vida este recém-nascido (de novo a palavra)? Um ser que não pensa, não tem consciência de nada, só funciona?
Quando o assunto é aborto a discussão sempre cai no tema quando começa a vida. O problema aqui é que não existe, e nunca existirá, um consenso sobre este assunto. Se uma bactéria é vida, então um óvulo fecundado também é. Assim como um gameta (campanha Anti-masturbação), já que também é uma célula. Simplesmente não faz sentido utilizarmos este critério.
Alguns refinam este mesmo método: a vida começa com a formação do cérebro. O que é vida, neste caso? Vida humana que sente? Mas, sente o que? Não temos como definir estas questões, e nunca teremos. É uma questão puramente ética, a ciência não tem como estudar o tema por ser meramente uma questão semântica, de definição de termos (vida, sentir).
Mas, isso realmente importa? Dirão que sim, pois, se houver vida, então o aborto é considerado assassinato.
É uma forma muito simplista de se pensar. Nas fases iniciais nem o tubo neural está formado. E mesmo depois de formado, existe desenvolvimento posterior, portanto, demora certo tempo para que o encéfalo esteja formado. Desta parte a ciência dá conta. Entretanto, nem nestas fases é permitido o aborto na nossa legislação.
Mas, insisto, isso é o que realmente importa? Este debate interminável sobre o início da vida barra qualquer avanço na legislação brasileira sobre o tema. Enquanto isso, 1 em cada 5 brasileiras de mais de 40 anos afirma ter realizado aborto, um número alarmante. Esta polêmica – como a imprensa adora chamar – trava até mesmo os debates sobre o assunto.
Ninguém quer invadir a privacidade e individualidade, e mudar a opinião das pessoas. Mas o aborto já não é um problema apenas ético e moral; torna-se agora muito mais um problema de saúde e social.
De saúde, pois, se o aborto é proibido e ainda assim realizado, os métodos clandestinos, certamente, não são confiáveis e seguros. Muitas mulheres são mutiladas e até morrem tentando abortar um feto.
E social também. Mesmo os métodos anticoncepcionais falham, portanto, qualquer pessoa está sujeita a uma gravidez indesejada. Uma jovem pobre e grávida dificilmente conseguirá sustentar seu filho e dar uma vida descente a ambos, e talvez – e muito freqüente –para os outros filhos. Desta forma, devemos ponderar. Não é justo garantir vida descente à mãe ao invés de uma vida miserável a ambos? Garantir nutrição, saúde e educação a todas as crianças que os pais planejaram, ao invés de uma vida miserável a muitos?
Considero essas as questões pertinentes na discussão da legislação brasileira (e não na “festa da liberação”) sobre aborto. Não cabe às igrejas ou candidatos à presidência discutirem o tema. A sociedade inteira deve debater e decidir quais pontos são mais válidos: a eterna discussão sobre o início da vida ou as implicações sociais que o aborto clandestino traz para a sociedade.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A hora da escolha

O seguinte texto foi retirado do site do Le Monde Diplomatique Brasil revista/jornal mensal que assino famoso principalmente na França. Quem nunca teve contato deveria adquirir um exemplar para provar da qualidade impar desta publicação no Brasil.

Este texto (não sei nem se poderia ter colocado-o aqui...) é uma amostra do conteúdo do Diplô. Aproveite

Por Silvio Caccia Bava, editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis.

"Mesmo com condições que deixam tanto a desejar, temos que fazer uma escolha. Para muitos não será uma escolha pela sua identidade pessoal com um projeto político. Terá de ser uma avaliação em função das opções concretas. Falo especialmente para os que votaram em Marina no primeiro turno e para os que anularam"

A campanha eleitoral do PSDB e das elites conservadoras neste ano traz características surpreendentes, porque consideradas superadas há muito tempo. É um renascer conservador que usa de todos os métodos, manipula, distorce, falseia, na tentativa de seduzir o eleitor sem dizer a que veio, sem apresentar sequer um programa de governo.
Temas como a crença em Deus, o aborto, a liberdade de imprensa, a corrupção, dominam a agenda eleitoral e, em si, já demonstram que não é o futuro do Brasil que os preocupa, mas desclassificar e derrotar seus adversários por quaisquer meios. E é tal a manipulação que, neste momento eleitoral, apresentam estes temas como se fossem da alçada de decisões da Presidência da República, o que não é verdade.
A separação entre a Igreja e o Estado é um dos princípios que funda o Estado moderno, que também é assegurada na Constituição de 1988 e em todos os países ocidentais. Crer ou não em Deus, ter ou não uma religião, são temas da vida privada, de foro pessoal, e assim devem continuar para garantir o respeito à diversidade e pluralidade culturais, fundamentos da democracia e da paz, ou voltaremos aos tempos das inquisições e da fogueira para sacrificar os hereges.
A descriminalização do aborto não é uma “política para matar criancinhas”, como declara solertemente a oposição. É uma questão de saúde pública que se propõe para evitar a morte de milhares de mulheres, condenadas a enormes riscos ao realizarem seus abortos de forma precária e clandestina, sem qualquer apoio do poder público. E é importante frisar que também aqui, neste caso, a decisão por adotar estas políticas não é da Presidência da República, mas sim do Congresso Nacional.  
A questão da corrupção, ela sempre esteve presente na política brasileira, na democracia das elites, que se servem deste expediente na defesa de interesses privados, afrontando a dimensão pública e o interesse coletivo. Se é verdade que os expedientes do “dá lá, toma cá”, estão presentes também no atual governo, o que é lamentável e demanda uma reforma política para instituir controles democráticos efetivos sobre Executivo, Legislativo e Judiciário, não dá para o PSDB posar de vestal, basta lembrar as denúncias da compra de votos que permitiram a FHC modificar a Constituição e ter seu segundo mandato.
Esta agenda eleitoral, fundamentalista e despolitizada, que não trata das questões que importam para o futuro do país, só ganhou importância pelo destaque que a mídia lhe deu – TVs e jornais – que atuaram de maneira articulada, impondo sua versão dos fatos e tentando transformá-la em realidade. Nunca é demais lembrar que uma das questões centrais da democratização de nosso país é retirar do controle de apenas 9 famílias estes meios de comunicação. A tão propalada ameaça à liberdade de imprensa nada mais é que a defesa deste oligopólio, que por sua vez representa o conservadorismo, agora mais radical neste fim de campanha eleitoral.
Assistimos a um deslocamento ideológico onde o PSDB passa a ocupar o lugar do DEM, e o PT o lugar do PSDB. Esta situação abriu um espaço à esquerda no espectro político. Se Marina tivesse se aliado aos pequenos partidos à esquerda, que nasceram como dissidências do PT, poderíamos ter tido uma opção eleitoral à esquerda, mas este não foi o caso, como se pode ver com o alinhamento informal do PV à candidatura do PSDB. Marina paga agora o preço de sua ingenuidade.
A expressiva votação de Tiririca para deputado federal combina com a despolitização desta campanha e com um sentimento de rejeição pela política e pelos políticos de importantes setores da população, que desconfiam da falsidade das campanhas eleitorais e desta manipulação midiática. Afinal, como as candidaturas à presidência prometem mais creches, escolas, saúde, se estes equipamentos e serviços são responsabilidade dos governos municipais?  Por que não falam de cambio, política externa, integração regional, projeto de desenvolvimento?
A verdade é que as candidaturas se dobraram à lógica das pesquisas eleitorais e das estratégias de marketing. Falam o que o eleitor quer ouvir. Prometem como sempre prometeram, a cada eleição. O importante nas condições atuais é construir critérios para avaliar as opções. E um deles pode ser o de comparar os governos que estes dois partidos realizaram e avaliar não só o quanto cumprem de suas promessas, mas o que fizeram pelo povo brasileiro.
Embora eles não estejam enunciados com clareza, existem dois projetos para o Brasil em disputa. O do PT é a continuidade de um processo de crescer favorecendo as grandes empresas nacionais e redistribuindo alguma (pouca) riqueza, permitindo a inclusão dos mais pobres. É a isso que se chama social democracia, uma antiga bandeira do PSDB. Já o projeto do PSDB é radical no sentido de favorecer o livre mercado, como se estivéssemos nos anos 90...  E o livre mercado não tem nenhum projeto de desenvolvimento autônomo para o Brasil e nem se preocupa com o interesse público. Não é preciso dizer que esta opção só favorece as elites tradicionais, que se transformam em sócias menores do capital internacional, quando o fazem. Nesse caso, nossas riquezas irão beneficiar outros senhores e a desigualdade aumentará.
Mas, mesmo com estas condições que deixam tanto a desejar, temos que fazer uma escolha.  Para muitos não será uma escolha pela sua identidade pessoal com um projeto político. Terá de ser uma avaliação em função das opções concretas. Falo especialmente para os que votaram em Marina no primeiro turno, para os que anularam o voto, para os que se abstiveram.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Biologia Sintética



               Publicado em julho de 2010, o artigo de Craig Venter, intitulado Creation of a Bacterial Cell Controlled by a Chemically Synthesized Genome foi classificado pelo próprio como “um avanço tanto filosófico como técnico". No trabalho, Venter descreve a criação de um organismo cujo genoma é 100% sintético. Para o autor, as possibilidades que sua criação traz são inúmeras. [1]

               E de fato são. Mas inúmeras em que sentido? São possibilidades de melhora da existência humana e de sua qualidade de vida ou apocalípticas? Utilizando-se da discussão que houve numa aula de Genética II, do curso de biologia da USP-RP, sobre o nosso seminário com tema de Biologia Sintética, exporei alguns dos pontos principais desta polêmica discussão.

               Craig Venter, para quem não conhece, é fundador da empresa Celera Genomics, do The Institute for Genomic Research e do J. Craig Venter Institute[2]. Se não o reconhece por essas referências, talvez seja mais familiar dizer que ele foi o concorrente privado da iniciativa pública no projeto Genoma Humano, que visava codificar toda a base genética da nossa espécie. Aliás, ele se propôs a fazer o mesmo que o orçamento público se comprometeu, mas em menos tempo e com menor gasto financeiro. E conseguiu. 

Mas, retornando ao tema principal, o entusiasmo de Venter advém de uma das idéias envolvendo a biologia sintética e seu organismo sintético (na verdade, ele não criou um organismo sintético, ele copiou o genoma de uma bactéria para um computador, codificou, sintetizou e transplantou-o para outra espécie de bactéria. O genoma é sintético, mas o organismo em si, nem tanto assim). Essa idéia visa criar um organismo base, ou seja, um organismo que só apresente os genes necessários para a manutenção de sua vida num ambiente desejado. Isto é, este organismo 100% sintético não produzirá nenhum gene considerado desnecessário por seus criadores.

Qual o objetivo do organismo base? Pense em um computador simples. Você pode instalar uma placa de vídeo e conseguir jogar jogos de última geração; pode instalar uma impressora e imprimir seus arquivos e fotos; pode instalar um scanner e digitalizar qualquer coisa que quiser. Exatamente como neste exemplo, na bactéria base poderíamos “instalar” qualquer gene que quiséssemos e produzir qualquer substância de interesse.

Agora visualizar o potencial da descoberta se torna mais fácil. Uma vez identificado um gene produtor de etanol, podemos colocá-lo nesta fábrica/ bactéria e produzir etanol em larga escala e a um baixo custo. O mesmo pode ser feito com medicamentos, só precisamos conhecer o gene codificante do princípio ativo e começar a produzir. Podemos inventar genes também para produzirmos qualquer coisa que nos fosse necessário. E é neste qualquer coisa que surge o problema...

Em meados do século XX, um físico estadunidense chamado Julius Robert Oppenheimer, estudava uma nova forma de se produzir energia. Destinava sua atenção aos processos energéticos que as interações subatômicas apresentavam. Um potencial de produção de energia e de crescimento tecnológico imensos para a humanidade. Entretanto, apesar das boas intenções iniciais, Oppenheimer integrou o projeto Manhattan durante a Segunda Guerra Mundial. O que fez este projeto? Hiroshima e Nagasaki.

Citei Oppenheimer, pois ele integrou de fato o Projeto Manhattan. Contudo, outro nome bastante conhecido cujos estudos nesta área tinham uma boa intenção é o de Albert Einstein. Isso nos mostra que, se, algum achado científico ou nova tecnologia, apresentar, mesmo que mínimo, potencial para usos militares – e militares financiam pesquisas nessa área - terroristas ou qualquer uso destrutivo, algum brilhante cidadão fará uso disto. Muitas tecnologias apresentam tal potencial e, portanto, um risco para a humanidade. Entretanto, os riscos que a biologia sintética oferece são de uma magnitude impressionante (e preocupante).

Em 2006, o jornalista James Randerson foi capaz de encomendar uma parte do DNA do vírus da varíola de uma empresa pela internet. Alguns pesquisadores já recriaram em laboratório os genomas dos vírus causadores da poliomielite e da gripe espanhola. Se hoje, que, praticamente, não existem aplicações efetivas, já estão criando e recriando estas perigosas sequências, o que nos garante que, quando o organismo base for realidade, isto também não acontecerá? Imagine a aplicação lúgubre que genomas destes tipos terão em conflitos entre povos. Uma nova era de armamento biológico e destruição, numa escala nunca antes imaginada, terá início.

Mas não é só isso. Alguns pesquisadores pensam em fabricar nossos próprios filhos. Imagine o potencial de design que teremos quando nossa forma não estiver limitada à necessidade de reprodução, afirmou Drew Endy, professor assistente do Departamento de Engenharia Biológica do MIT e ferrenho defensor das pesquisas em biologia sintética. Alguém pode achar essa idéia boa, assim poderemos ser imunes a qualquer doença, ser muito bons em esportes, fabricar gênios para a humanidade, enfim, mais um grandessíssimo potencial, não é?

Depende. Quanto custa um bebê de proveta? Achei no Google um site dizendo que “por volta de 6000 reais” e outro afirmando que no máximo 3000 reais. Essa tecnologia nasceu em 1978, ou seja, fazem 32 anos já, e ela não é uma tecnologia popular, como você pode ver pelo seu preço. Agora você se pergunta, porque raios ele está falando disso.

Se um bebê de proveta custa, na melhor das hipóteses, 3mil reais, quanto custará a fabricação de um filho, com todos os opcionais desejáveis? Não faço a mínima idéia, mas eu sei que eu não terei esse dinheiro e, provavelmente, 80% da população mundial não o terá também.  Podemos facilmente pensar nas implicações sociais desta área da biologia sintética. Uma classe de ricos superdesenvolvidos, superevoluídos dominante sobre o resto da população humana, quase que um Admirável Mundo Novo, se assim desejar.

Sem contar nos riscos de estes organismos saírem do nosso controle, disseminando pela natureza e competindo com os organismos naturais, causando extinções e conseqüente desequilíbrio na vida em toda a terra. Este é o cenário apocalíptico da biologia sintética.

Cabe não só aos cientistas e governantes, mas a todas as pessoas pensantes avaliar os impactos e perigos para a espécie humana e para a vida como um todo que pesquisas nesse novo ramo da ciência trarão. Good science, Bad science...


domingo, 3 de outubro de 2010

Criminalização de movimentos sociais

No 5º editorial USP Destaques editado pela Assessoria de Imprensa da Reitoria da Universidade de São Paulo, de 24 de setembro de 2010 o assunto abordado foi a criminalização dos movimentos sociais universitários. Os autores do editorial justificam-no, logo na primeira página, afirmando que foram disseminadas informações equivocadas e sensacionalistas sobre o assunto, por isso se fez necessário este “esclarecimento”.
Com imagens de pessoas encapuzadas e prédios depredados o editorial argumenta que não existe uma “criminalização” destes movimentos, mas que, na verdade, algumas das suas atitudes são criminosas, como a destruição de patrimônio público.
Não há uma referência direta a uma manifestação específica, entretanto, pelas fotos e detalhes do texto podemos perceber que os editores se referem, principalmente, à invasão do prédio da Administração Central da Reitoria da USP, realizada no dia 9 de junho de 2010. Neste acontecimento, segundo o próprio editorial, divisórias de paredes de vidro foram quebradas, quatro portas blindadas foram totalmente destruídas, uma parede de alvenaria foi demolida, um portão foi danificado e 44 câmeras de segurança foram furtadas, entre outros atos de vandalismo.
Na ocasião, os manifestantes classificaram o ocorrido como “ato de repúdio ao reitor autoritário”. É óbvio que atos de vandalismo e destruição do patrimônio público, como este, não são, de forma alguma, justificáveis e são condenáveis. Uma grande parcela (a maioria) dos grevistas se mostrou contrária a estes acontecimentos, recusando-se, inclusive, a entrar no edifício da reitoria, como aponta matéria do jornal Estadão. Quanto a estes assuntos, o editorial se mostra sensato, afirmando que a Universidade de São Paulo deveria acionar os mecanismos jurídicos legítimos para a identificação e punição dos responsáveis.
Contudo, notamos alguns deslizes no texto que deixam muito evidente a parcialidade, que foi logo alertada, também na primeira página do editorial. Leia o seguinte parágrafo retirado do texto “Ninguém está acima da Lei”, da última página do editorial:
Tais mecanismos de apuração e individualização são sempre conduzidos por comissões colegiadas, compostas por três membros, que analisam as provas e chegam a uma conclusão, acolhida ou não pela autoridade universitária, que por ser o diretor da Unidade ou o reitor, conforme o caso. Percebe-se, assim, que não há, nem poderia haver arbítrio de única pessoa
Essa grotesca contradição só pode significar duas coisas: a pessoa que redigiu o texto não compreende o significado do verbo acolher e da palavra arbítrio ou essa mesma pessoa acha que todos nós somos completos imbecis. Se existe um colegiado para julgar os atos e chegar a uma conclusão, ótimo, assim, realmente, não arbítrio de única pessoa – apesar de três pessoas nesse colegiado, em minha opinião, ser um número muito pequeno. Mas logo em seguida aparece a afirmação de que o reitor, no caso, pode “acolher ou não” o que o colegiado decidir. Ou seja, a opinião do reitor – uma pessoa, única e magnânima pelo jeito – é a que vale no final. O colegiado pode não sentenciar nenhuma pena para um ocorrido, mas, se o reitor quiser, ele pode condenar os responsáveis, contrariando a comissão. Desculpe-me, mas não somos completos imbecis, nesse caso.
Outro ponto levantado pelo editorial é a responsabilidade que uma mobilização deve ter. Segundo os autores,
qualquer mobilização [...] deve ser responsável. [...] Deve haver responsabilidade de meios e [...] responsabilidade de fins
O texto afirma que há mais de 20 anos estes movimentos universitários “exageram nos meios”. Certamente, como os atos de depredações elucidam. Entretanto, eles também afirmam que os grevistas perdem sua razão quando utilizam palavras de baixo calão ao se referir aos dirigentes da Universidade, o que cansa estes dirigentes, que, por sua vez, interrompem as negociações em curso. Alguém cai nessa?
Tomemos como exemplo as manifestações ocorridas em 2009. No caso, a reitora se recusou a receber os líderes do protesto, o que também culminou na invasão da reitoria. Na greve deste ano também houve falta de diálogo. Os funcionários receberam 6,57% de aumento, assim como todos os outros segmentos da USP. Entretanto, aos docentes foi conferido um extra de 6%. Os funcionários, com razão, defendiam seu direito de receber o mesmo aumento. Após semanas de manifestações, o reitor decidiu descontar os dias de greve do salário dos funcionários. Segue trecho retirado do site Guia Trabalhista para sua própria reflexão:
A Constituição Federal, em seu artigo 9º e a Lei nº 7.783/89 asseguram o direito de greve a todo trabalhador, competindo-lhe a oportunidade de exercê-lo sobre os interesses que devam por meio dele defender
Após essa atitude, no mínimo equivocada, do reitor é que os manifestantes invadiram a reitoria. Novamente, esta atitude não é justificada de nenhuma forma, mas, certamente, ela foi um reflexo da atitude também não justificada do reitor.
Eles também criticam o fato de os grevistas atrapalharem, com “faixas, barricadas, tapumes e cordões humanos”, o acesso de pessoas aos locais de trabalho e creches na Universidade.  A meu ver, uma greve só tem efeito se for incômoda. A greve chama atenção para a importância destes trabalhadores tornando a vida de quem depende deles mais difícil. Só assim uma greve funciona.
Após algumas frases de efeito como “quem grita perde a razão”, o editorial termina com a seguinte frase:
Onde está e quem deve responder pela propagada criminalização dos movimentos sociais no âmbito da Universidade?
Para mim a criminalização está não só na destruição do patrimônio público por parte de alguns manifestantes, mas também na recusa em manter negociações, na falta de valorização de carreiras públicas em detrimento de outras, no envio da polícia para “manter a ordem” e no desrespeito que algumas pessoas tem por outras, tentando nos persuadir de coisas absurdas, como a USP ser democrática e o significado da palavra arbítrio, por exemplo.

Para quem quiser dar uma olhada no editorial clique no link USP Destaques nº5

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Genéricos em perigo!

Mais um e-mail recebido pelo site Avaaz. Desta vez, a acessoria do portal nos diz que representantes de vários países estão reunidos para criar restrições para a produção e comercializção dos medicamentos Genéricos.

Os medicamentos genéricos, para quem ainda não sabe, podem ser produzidos por qualquer laboratório, uma vez que a patente do remédio original já foi derrubada.

Quando um laboratório cria uma droga, somente este pode produzí-la, uma vez que a patente do medicamento é registrada. Entretanto, por vários motivos (que você pode descobrir pelo Wikipedia), principalmente o término do tempo conferido à patente, a fórmula dessa droga torna-se pública, sendo permitido a qualquer laboratório produzí-la.

O medicamento genérico torna-se mais barato pois, como a droga criada já foi testada pelo laboratório que tinha a patente, esse custo - que, aliás, é extremamente caro - já não existe. Sem o gasto com os testes, esta droga pode ser comercializada por um preço muitíssimo baixo.

Estes medicamentos são comercializados em diversos países, entre eles Brasil e Portugal. Para as pessoas que necessitam com uma alta frequência (muitas vezes diariamente) de certo medicamento, os genéricos se tornaram essenciais.

Desta forma, não podemos deixar os grandes laboratórios imporem seus obstáculos para a comercialização deste produto tão necessário para a boa manutenção da saúde das pessoas de todos os países.

Clique e assine a petição!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Bento XVI e suas declarações


            Em sua controversa visita ao Reino Unido, o papa Bento XVI fez várias declarações, no mínimo, duvidosas sobre alguns assuntos polêmicos. No domingo, dia 19 de setembro, Joseph Ratzinger disse, entre outras, a seguinte frase:

Quando formos refletir sobre as lições sombrias do extremismo ateísta do século 20, nunca nos deixemos esquecer como a exclusão de Deus, religião e virtude da vida pública leva em última instância a uma visão truncada do homem e da sociedade e, portanto, a uma visão reducionista das pessoas e seus destinos.

Um parêntese: a expressão “extremismo ateísta” não faz o menor sentido. O ateísmo não é uma doutrina, é apenas uma descrença em qualquer entidade superior e, como tal, não tem nenhum fundamento particular que deva ser seguido. Desta forma, não é possível a existência de algo como extremismo ateísta.
De volta, considerando a expressão, acima citada, como perseguição às pessoas religiosas, uma pergunta vem à mente: onde os “ateístas extremos” do século 20 nos deram suas lições sombrias? Talvez na União Soviética com Stálin? Talvez na China comunista com Mao Tsé-Tung? Não, o extremismo ateísta ao qual Sua Santidade se referia era o nazismo de Hitler, o que fica claro na seguinte declaração:


"à tirania nazista que desejava erradicar a Deus da sociedade


Adolf Hitler, aquele enviado de Satanás, só poderia ser ateu, não é mesmo? De que outra forma ele poderia assassinar impiedosamente judeus, negros, ciganos, homossexuais e tantos outros? Não existe outra explicação. E isto é exatamente o que, como diria Fausto Silva, o glorioso Bento XVI quer que acreditemos.
Quão ateu era Hitler? Será que ele acreditava em Deus? Bom, essa é uma pergunta impossível de se obter a resposta, mas temos algumas pistas.
Adolf Hitler foi batizado pela Igreja Católica Apostólica Romana e, em nenhum momento de sua vida, negou seu batismo. A seguinte declaração, que retirei do blog Bule Voador, evidencia isto:

Eu sou tão católico quanto antes e sempre serei

Além desta declaração, dois trechos do seu famigerado livro “Minha Luta” (Mein Kampf, Best-seller entre os skinheads e facilmente encontrado no google) também nos indicam que, ao menos pessoalmente, Adolf Hitler tinha envolto em seus pensamentos os fundamentos cristãos, pelo menos da forma como ele os via. Avalie você mesmo:

Verdade é que este não ocultava seus sentimentos relativos ao povo judeu; em certa emergência pegou até no chicote para enxotar do templo de Deus este adversário de todo espírito de humanidade que, outrora, como sempre, na religião, só discernia um veículo para facilitar sua própria existência financeira. Por isso mesmo, aliás, é que Cristo foi crucificado.
Parte 1, capítulo 11 “Minha Luta”, Adolf Hitler

Justamente o homem de sentimentos nacionalistas devia ter a sagrada obrigação, cada um dentro do seu próprio credo, de cuidar, não só de falar sempre da vontade de Deus, mas também de cumpri-la, não permitindo que a obra de Deus seja desonrada. A vontade de Deus foi que deu aos homens sua forma exterior, sua natureza e suas faculdades. Aquele que destruir a obra de Deus está desta forma combatendo a obra divina, a vontade divina.
Parte 2, Capítulo 9 “Minha Luta”, Adolf Hitler


Certo, certo... Talvez Hitler se achasse cristão, achasse que estava seguindo todos os mandamentos e agindo de acordo com o que Jesus Cristo ensinou (inclusive quando expulsava os judeus da Alemanha, como também fez Jesus certa vez, expulsando os comerciantes judeus de um templo em Jerusalém, de acordo com a bíblia). Talvez... Mas Adolf Hitler era um homem diferente (para não dizer louco), ele poderia estar confundindo tudo e interpretando as mensagens de amor da bíblia como mensagens de ódio contra judeus e outros povos impuros, não poderia? Se assim o fosse, certamente a santificada e iluminada Igreja Católica não estaria de acordo e tentaria deter este ser demoníaco que deturpava as palavras sagradas, correto? Dito isto, observemos, então, algumas fotos:


 
O que estaria fazendo o papa Pio XII ao lado do Führer? Será que o terceiro Reich, com a ajuda dos poderes mágicos de Lúcifer, teria enfeitiçado o papa?!
Obviamente não. Existem controvérsias quanto ao que realmente aconteceu, mas temos apenas duas opções que realmente são consideradas: ou Hitler foi apoiado pelo papa ou este simplesmente ignorou sua subida ao poder e seus atos controversos. Os pesquisadores debatem sobre este tema até hoje, entretanto, podemos notar que uma terceira opção, que, provavelmente, é a que Joseph Ratzinger quer que você acredite, a de que a Igreja Católica foi contra e combateu o Führer, não é nem considerada pelos pesquisadores.
                Mas, a partir daqui você pode tirar suas próprias conclusões. Vou ajudá-lo deixando a disposição um cartaz que Hitler espalhou pela Alemanha quando almejava o poder que, para quem não manja de alemão, basicamente declara o apoio da Igreja, tranqüilizando e tentando convencer os católicos alemães a apoiarem Adolf Hitler. Além do cartaz (perdoem-me pela qualidade, não achei melhor), há também uma carta que colocarei logo abaixo, esta em português, portanto não tecerei nenhum comentário sobre ela. Ela é bem auto-explicativa.
                Diante da polêmica que suas declarações causaram, Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, afirmou que Bento XVI “sabe muito bem do que se trata a ideologia nazista”. Deveria saber mesmo, uma vez que fez parte da Juventude Hitlerista aos 14 anos. Deveria, mas, de acordo com todos os estudos realizados por pessoas sérias, não sabe. Não sabe ou não quer que saibamos a verdade, preferindo atacar pessoas que, na maioria das vezes, não causam mal a ninguém, somente não acreditam em um dos Deuses que ele acredita, como diria Richard Dawkins.  
                Ah, antes que eu me esqueça e para finalizar, Joseph Hitler Ratzinger pediu também que a Grã-Bretanha evite “formas agressivas de secularismo”, um absurdo sem tamanho.
   Saudosismo de quando a Igreja Católica mandava em tudo. Tempos ruins não é Bentinho?




Carta do Papa Pio XII a Adolf Hitler
Ao ilustre, Herr Adolf Hitler, Führer e Chanceler do Reich Alemão!
        Aqui, no início de nosso pontificado, desejamos assegurá-lo de que permanecemos dedicados ao bem-estar espiritual do povo alemão confiado à sua liderança. Imploramos que o Deus Todo-Poderoso conceda a eles aquela verdadeira felicidade que advém da religião.
        Recordamos com grande prazer os muitos anos que passamos na Alemanha como Núncio Apostólico, quando fizemos tudo que estava ao nosso alcance para estabelecer relações harmoniosas entre a Igreja e o Estado. Agora que as responsabilidades de nossa função pastoral aumentaram nossas oportunidades, muito mais ardentemente oramos para alcançar este objetivo.
Que a prosperidade do povo alemão e seu progresso em cada parte venha, com a ajuda de Deus, fruir!
        Neste dia, 6 de março de 1939, em Roma, na Basílica de São Pedro, no primeiro ano do nosso pontificado.
Papa Pio XII
Fonte: Extraído do livro Hitler's Pope: The Secret History of Pius XII, de John Cornwell (Penguin Books).
Hitler estava unido à Igreja Católica - Um acordo diplomático entre a igreja e o Estado nacional-socialista de Hitler dizia: "Império e Igreja consistem em uma série de escritos que devem ajudar na construção do Terceiro Reich, já que reúne um Estado nacional-socialista e a cristandade Católica. Inteiramente alemães e inteiramente católicos, estes escritos favorecem relações e intercâmbio entre a Igreja Católica e o nacional-socialismo; (...) A idéia de um povo de único sangue é o ponto fundamental dos seus ensinamentos e todos os católicos que obedecerem às instruções dos bispos alemães terão de admitir que assim é. As leis do nacional-socialismo e as da Igreja Católica têm o mesmo objetivo" (Begegnungen Zwischen Katholischem Christentum und Nazional-Sozialistischer Weltanschauung Aschendorff, Muster, 1933).


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Como funcionam os dois turnos?

"Será que para ter segundo turno é preciso engolir quem você não gosta?"


Tenho ouvido muitas pessoas que não gostam de nenhum dos dois candidatos à presidência com maior intenção de voto, mas que votarão neles pois o seu preferido não tem chance de ganhar.

Primeiro: se nem você que gosta não vota no candidato, ele nunca vai ganhar mesmo!

Segundo: o primeiro turno é exatamente para isso, para se votar no que você tem maior afinidade e tentar levá-lo para o segundo turno. Se ele não passar aí sim você vota em quem não gosta.

Muito bom este vídeo, simples e explicativo. Assistam e pensem antes de votar.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Manipulação religiosa


Posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010
Neste vídeo, o Pr. Paschoal Piragine Jr., da Igreja Batista de Curitiba, emite algumas opiniões que, segundo ele, refletem a moral cristã. Entre elas, as já bastante conhecidas condenando o homossexualismo e o aborto. Entretanto, em seu posicionamento, ele vai além, colocando estes assuntos no mesmo patamar que as práticas indígenas de enterrarem crianças que nascem com anomalias físicas e a pedofilia. 
A maior parte das pessoas condena tais práticas desses grupos indígenas brasileiros, apesar de existirem, também, opiniões contrárias, em favor da manutenção da diversidade cultural. Contudo, condenando ou não, nenhuma pessoa sã colocaria o assassinato e o abuso de crianças lado a lado com o casamento homossexual, o aborto e até o divórcio, como fez o glorioso Pr. Paschoal Piragine Jr.
Além disso, ele condena os partidos (principalmente o PT) que ameaçaram expulsar membros que se posicionassem contra as opiniões em favor da legalização de tais temas. Em minha opinião, a existência de partidos serve, justamente, para a representação de opiniões de um grupo, junto ao Parlamento. Assim, nada mais natural que membros que não concordem com a opinião coletiva definida pelo partido devam se retirar deste, ou serem retirados, no caso.
O vídeo já teve 1.535.604 visualizações no YouTube, ou seja, as opiniões fundamentalistas deste Pastor estão se disseminando e, ao menos, tentando manipular o resultado desta eleição de outubro, uma vez que ele também orienta os fiéis a nunca votarem nos partidos que defendam qualquer destes temas. Alguns petistas já afirmaram que irão processar o Padre por suas declarações. Assista ao vídeo e deixe seu comentário, antes que seja retirado do ar.