Em sua controversa visita ao Reino Unido, o papa Bento XVI fez várias declarações, no mínimo, duvidosas sobre alguns assuntos polêmicos. No domingo, dia 19 de setembro, Joseph Ratzinger disse, entre outras, a seguinte frase:
“Quando formos refletir sobre as lições sombrias do extremismo ateísta do século 20, nunca nos deixemos esquecer como a exclusão de Deus, religião e virtude da vida pública leva em última instância a uma visão truncada do homem e da sociedade e, portanto, a uma visão reducionista das pessoas e seus destinos.”
Um parêntese: a expressão “extremismo ateísta” não faz o menor sentido. O ateísmo não é uma doutrina, é apenas uma descrença em qualquer entidade superior e, como tal, não tem nenhum fundamento particular que deva ser seguido. Desta forma, não é possível a existência de algo como extremismo ateísta.
De volta, considerando a expressão, acima citada, como perseguição às pessoas religiosas, uma pergunta vem à mente: onde os “ateístas extremos” do século 20 nos deram suas lições sombrias? Talvez na União Soviética com Stálin? Talvez na China comunista com Mao Tsé-Tung? Não, o extremismo ateísta ao qual Sua Santidade se referia era o nazismo de Hitler, o que fica claro na seguinte declaração:
"à tirania nazista que desejava erradicar a Deus da sociedade”
Adolf Hitler, aquele enviado de Satanás, só poderia ser ateu, não é mesmo? De que outra forma ele poderia assassinar impiedosamente judeus, negros, ciganos, homossexuais e tantos outros? Não existe outra explicação. E isto é exatamente o que, como diria Fausto Silva, o glorioso Bento XVI quer que acreditemos.
Quão ateu era Hitler? Será que ele acreditava em Deus? Bom, essa é uma pergunta impossível de se obter a resposta, mas temos algumas pistas.
Adolf Hitler foi batizado pela Igreja Católica Apostólica Romana e, em nenhum momento de sua vida, negou seu batismo. A seguinte declaração, que retirei do blog Bule Voador, evidencia isto:
“Eu sou tão católico quanto antes e sempre serei”
Além desta declaração, dois trechos do seu famigerado livro “Minha Luta” (Mein Kampf, Best-seller entre os skinheads e facilmente encontrado no google) também nos indicam que, ao menos pessoalmente, Adolf Hitler tinha envolto em seus pensamentos os fundamentos cristãos, pelo menos da forma como ele os via. Avalie você mesmo:
“Verdade é que este não ocultava seus sentimentos relativos ao povo judeu; em certa emergência pegou até no chicote para enxotar do templo de Deus este adversário de todo espírito de humanidade que, outrora, como sempre, na religião, só discernia um veículo para facilitar sua própria existência financeira. Por isso mesmo, aliás, é que Cristo foi crucificado.”
Parte 1, capítulo 11 “Minha Luta”, Adolf Hitler
“Justamente o homem de sentimentos nacionalistas devia ter a sagrada obrigação, cada um dentro do seu próprio credo, de cuidar, não só de falar sempre da vontade de Deus, mas também de cumpri-la, não permitindo que a obra de Deus seja desonrada. A vontade de Deus foi que deu aos homens sua forma exterior, sua natureza e suas faculdades. Aquele que destruir a obra de Deus está desta forma combatendo a obra divina, a vontade divina.”
Parte 2, Capítulo 9 “Minha Luta”, Adolf Hitler
Certo, certo... Talvez Hitler se achasse cristão, achasse que estava seguindo todos os mandamentos e agindo de acordo com o que Jesus Cristo ensinou (inclusive quando expulsava os judeus da Alemanha, como também fez Jesus certa vez, expulsando os comerciantes judeus de um templo em Jerusalém, de acordo com a bíblia). Talvez... Mas Adolf Hitler era um homem diferente (para não dizer louco), ele poderia estar confundindo tudo e interpretando as mensagens de amor da bíblia como mensagens de ódio contra judeus e outros povos impuros, não poderia? Se assim o fosse, certamente a santificada e iluminada Igreja Católica não estaria de acordo e tentaria deter este ser demoníaco que deturpava as palavras sagradas, correto? Dito isto, observemos, então, algumas fotos:
O que estaria fazendo o papa Pio XII ao lado do Führer? Será que o terceiro Reich, com a ajuda dos poderes mágicos de Lúcifer, teria enfeitiçado o papa?!
Obviamente não. Existem controvérsias quanto ao que realmente aconteceu, mas temos apenas duas opções que realmente são consideradas: ou Hitler foi apoiado pelo papa ou este simplesmente ignorou sua subida ao poder e seus atos controversos. Os pesquisadores debatem sobre este tema até hoje, entretanto, podemos notar que uma terceira opção, que, provavelmente, é a que Joseph Ratzinger quer que você acredite, a de que a Igreja Católica foi contra e combateu o Führer, não é nem considerada pelos pesquisadores.
Mas, a partir daqui você pode tirar suas próprias conclusões. Vou ajudá-lo deixando a disposição um cartaz que Hitler espalhou pela Alemanha quando almejava o poder que, para quem não manja de alemão, basicamente declara o apoio da Igreja, tranqüilizando e tentando convencer os católicos alemães a apoiarem Adolf Hitler. Além do cartaz (perdoem-me pela qualidade, não achei melhor), há também uma carta que colocarei logo abaixo, esta em português, portanto não tecerei nenhum comentário sobre ela. Ela é bem auto-explicativa.
Diante da polêmica que suas declarações causaram, Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, afirmou que Bento XVI “sabe muito bem do que se trata a ideologia nazista”. Deveria saber mesmo, uma vez que fez parte da Juventude Hitlerista aos 14 anos. Deveria, mas, de acordo com todos os estudos realizados por pessoas sérias, não sabe. Não sabe ou não quer que saibamos a verdade, preferindo atacar pessoas que, na maioria das vezes, não causam mal a ninguém, somente não acreditam em um dos Deuses que ele acredita, como diria Richard Dawkins.
Ah, antes que eu me esqueça e para finalizar, Joseph Hitler Ratzinger pediu também que a Grã-Bretanha evite “formas agressivas de secularismo”, um absurdo sem tamanho.
Saudosismo de quando a Igreja Católica mandava em tudo. Tempos ruins não é Bentinho?
Carta do Papa Pio XII a Adolf Hitler
Ao ilustre, Herr Adolf Hitler, Führer e Chanceler do Reich Alemão!
Aqui, no início de nosso pontificado, desejamos assegurá-lo de que permanecemos dedicados ao bem-estar espiritual do povo alemão confiado à sua liderança. Imploramos que o Deus Todo-Poderoso conceda a eles aquela verdadeira felicidade que advém da religião.
Recordamos com grande prazer os muitos anos que passamos na Alemanha como Núncio Apostólico, quando fizemos tudo que estava ao nosso alcance para estabelecer relações harmoniosas entre a Igreja e o Estado. Agora que as responsabilidades de nossa função pastoral aumentaram nossas oportunidades, muito mais ardentemente oramos para alcançar este objetivo.
Que a prosperidade do povo alemão e seu progresso em cada parte venha, com a ajuda de Deus, fruir!
Neste dia, 6 de março de 1939, em Roma, na Basílica de São Pedro, no primeiro ano do nosso pontificado.
Papa Pio XII
Fonte: Extraído do livro Hitler's Pope: The Secret History of Pius XII, de John Cornwell (Penguin Books).
Hitler estava unido à Igreja Católica - Um acordo diplomático entre a igreja e o Estado nacional-socialista de Hitler dizia: "Império e Igreja consistem em uma série de escritos que devem ajudar na construção do Terceiro Reich, já que reúne um Estado nacional-socialista e a cristandade Católica. Inteiramente alemães e inteiramente católicos, estes escritos favorecem relações e intercâmbio entre a Igreja Católica e o nacional-socialismo; (...) A idéia de um povo de único sangue é o ponto fundamental dos seus ensinamentos e todos os católicos que obedecerem às instruções dos bispos alemães terão de admitir que assim é. As leis do nacional-socialismo e as da Igreja Católica têm o mesmo objetivo" (Begegnungen Zwischen Katholischem Christentum und Nazional-Sozialistischer Weltanschauung Aschendorff, Muster, 1933).




Religião é uma droga mesmo. Enquadra e encarcera todo mundo.
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